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Sinistros em 2024: A evolução dos riscos no setor solar

As indenizações chegaram a quase R$ 7 milhões e os eventos climáticos severos aumentaram a gravidade dos sinistros.

A cada 20 horas, em média, um sinistro de energia solar é registrado no Brasil. É o que revela o balanço de sinistralidade da Elétron, com base, exclusivamente, nos dados analisados da nossa operação em 2024, e não do mercado.

Ao longo do ano, foram projetados 444 sinistros, com indenizações que somaram mais de R$ 6,89 milhões. Isso representa uma média de R$ 787 por hora ou cerca de R$ 18.887 em indenizações pagas por dia.

Para chegar a esses números, a Elétron analisou os dados de janeiro a novembro de 2024 dos seguros de Risco de Engenharia e Riscos Diversos Equipamentos, e realizou uma projeção com base na média mensal para estimar os resultados de dezembro, que ainda não estavam consolidados na publicação do artigo. Essa metodologia permitiu uma visão mais precisa sobre a crescente sinistralidade no setor.

Entre as estatísticas, um dado que chama atenção é o aumento expressivo no valor médio dos sinistros: em 2024, a média alcançou R$ 15.518,60, quase o dobro dos R$ 8.141,73 registrados em 2022, refletindo um crescimento de 90,61% em apenas dois anos.

Já de 2023 para 2024, o valor médio dos sinistros subiu quase 20%, o que indica que, apesar da redução de até 30% no custo dos equipamentos de energia solar – que está diretamente relacionado ao valor da indenização –, os eventos registrados em 2024 foram consideravelmente mais graves, com um aumento de 50% na severidade das ocorrências em comparação ao ano anterior.

Para entender melhor essa intensificação ao longo do ano, a seguir detalhamos os dados específicos de cada seguro analisado.

Seguro de Risco de Engenharia

Módulos caem da empilhadeira durante a instalação. Imagem: Elétron/Divulgação


O Risco de Engenharia (RE) oferece cobertura para danos ao kit gerador fotovoltaico, a terceiros e à propriedade do cliente final durante o período de instalação e montagem. Por isso, é amplamente conhecido entre os integradores como o “seguro da obra”, uma vez que protege contra os riscos característicos dessa etapa.

De acordo com o balanço de sinistralidade da Elétron, em 2024 foram registrados 107 sinistros, totalizando R$ 985.633,29 em indenizações pagas.

Dos valores indenizados, 81,19% correspondem a três estados que lideram o ranking de sinistros do RE: Paraná, Mato Grosso e Santa Catarina, que juntos somaram R$ 800.248,48 em indenizações.

Entre eles, o Paraná se destaca com a maior quantidade de sinistros (21) e o maior valor em indenizações, totalizando R$ 422.839,33, o que corresponde a 42,9% das ocorrências em 2024.

Ranking de Sinistros por Estado do Seguro de Risco de Engenharia de 2024. Imagem: Elétron/Divulgação


Apesar de não figurar entre os estados com os maiores valores de indenizações, o Espírito Santo ocupa o segundo lugar em número de sinistros, com 19 ocorrências. Em seguida, está São Paulo, com 18 sinistros registrados.

Em relação às coberturas, as três mais acionadas são, em disparado: Vendaval e Granizo, Roubo e Furto Qualificado, e a Básica – que representa danos causados por erro de execução. Juntas, elas correspondem a 95,47% das indenizações, totalizando R$ 941.015,81.

Dessas, a cobertura de Vendaval e Granizo lidera o ranking em valor, com R$ 464.206,14 em indenizações. No entanto, em termos de quantidade de sinistros, a Cobertura Básica se destaca, com 69 registros.

Isso indica que 22,71% dos sinistros durante a instalação e montagem são causados por erros humanos. Por isso, é fundamental que o integrador tenha o seguro antes de iniciar os serviços na propriedade do cliente.

Ranking de Sinistros por Cobertura do Seguro de Risco de Engenharia de 2024. Imagem: Elétron/Divulgação


Além disso, é importante considerar fatores como o tipo de usina fotovoltaica (solo ou telhado) e o local de instalação (área rural ou urbana), pois esses elementos podem influenciar o risco de sinistros.

Conforme o balanço de sinistralidade, as usinas de solo representam 59,68% dos casos de sinistros, correspondendo a R$ 588.225,95 em indenizações, enquanto as usinas instaladas em telhados somam 40,32% dos sinistros, totalizando R$ 397.406,73 em indenizações.

Quanto ao local de instalação, os sistemas na zona rural correspondem a 77,53% dos sinistros, enquanto os da área urbana são responsáveis por 22,47%.

No entanto, ao analisarmos mais a fundo os números, percebemos que, apesar da zona rural registrar um número menor de sinistros (37), o valor total das indenizações é significativamente maior (R$ 764.189,94) quando comparado à área urbana (R$ 221.443,35).

Porcentagens de sinistros por tipo de estrutura e localidade das usinas fotovoltaicas em 2024. Imagem: Elétron/Divulgação


Isso se deve ao fato de que as usinas de solo, geralmente localizadas em áreas rurais, enfrentam maiores exposições ao risco, o que resulta em sinistros mais severos e, consequentemente, em valores de indenizações mais elevados.

Esses dados sobre o Risco de Engenharia evidenciam a complexidade e a gravidade dos sinistros, principalmente em instalações de maior risco, como as usinas de solo e zona rural.

Contudo, é importante destacar que a proteção não se encerra na fase de instalação. Os riscos continuam durante toda a vida útil do sistema, o que reforça a necessidade de coberturas como as do Seguro de Riscos Diversos Equipamentos, abordadas a seguir.

Seguro de Riscos Diversos Equipamentos

Chuva de granizo danifica usina fotovoltaica de solo em zona rural. Imagem: Elétron/Divulgação


O seguro de Riscos Diversos Equipamentos (RD) é a opção ideal para cobrir danos externos ao kit fotovoltaico do cliente após a instalação, incluindo riscos como vendaval, granizo, incêndio, roubo, entre  outros.

Diferente do RE, que oferece cobertura apenas durante o período da instalação, o RD possui cobertura anual para o equipamento em funcionamento.

Por oferecer uma proteção mais ampla, válida por no mínimo 365 dias ao ano, o RD apresenta números significativamente superiores aos do RE.

Em 2024, por exemplo, foram registrados 300 sinistros do RD, totalizando R$ 5.330.435,05 – mais do que o dobro da quantidade de sinistros e mais de cinco vezes o valor das indenizações do RE.

Assim como no RE, Paraná e Santa Catarina permanecem entre os estados com maior número de sinistros e valores indenizados. No entanto, o Rio Grande do Sul assume a liderança, substituindo o Mato Grosso no ranking.

O estado gaúcho registrou 167 sinistros, correspondendo a 61,82% dos casos, com indenizações que totalizaram R$ 3.295.426,71.

Na sequência, o Paraná ficou em segundo lugar, com 43 sinistros e R$ 808.685,20 em indenizações, equivalente a 15,17% do total. Santa Catarina ocupou a terceira posição, registrando 23 sinistros e R$ 499.205,89 em indenizações, o que corresponde a 9,37% do total.

Juntos, os três estados respondem por 86,36% das ocorrências e concentram a maior parte dos valores indenizados, somando R$ 4.603.317,80.

Ranking de Sinistros por Estado do Seguro de Riscos Diversos Equipamentos de 2024. Imagem: Elétron/Divulgação


Outro ponto em comum entre o Seguro de Risco de Engenharia e o Seguro de Riscos Diversos Equipamentos é que a cobertura mais acionada em ambos é contra Vendaval e Granizo.

No RD, essa cobertura representa 59,05% dos sinistros, totalizando R$ 3.147.541,49 em indenizações. Já a segunda mais acionada é a de Inundação/Alagamento, que contabiliza 17,21% dos casos e R$ 917.511,47 em indenizações.

Ranking de Sinistros por Cobertura do Seguro de Riscos Diversos Equipamentos de 2024. Imagem: Elétron/Divulgação

Isso demonstra que, independentemente do sistema fotovoltaico estar em fase de instalação ou em funcionamento, os eventos climáticos apresentam os maiores riscos.

E, como não é possível controlar ou mitigar os impactos da natureza, a única forma de proteção é contar com um seguro adequado.

Afinal, em caso de sinistro, ele é a única garantia de reparação financeira do equipamento, evitando prejuízos ao integrador ou ao cliente.

Considerações Finais

Os dados analisados ao longo deste artigo refletem o panorama da evolução da sinistralidade no setor de energia solar.

Embora o número de sinistros tenha apresentado uma redução entre 2023 e 2024, com uma queda de 24,10%, a gravidade das ocorrências aumentou consideravelmente, como evidenciado pelo crescimento de 19,53% no valor médio dos sinistros, que passou de R$ 12.983,22 em 2023 para R$ 15.518,60 em 2024.

Em termos de valores totais, observamos uma diminuição nas indenizações pagas, com uma queda de 9,28% de 2023 para 2024, passando de R$ 7.595.184,95 para R$ 6.890.256,37.

No entanto, isso não deve ser interpretado como uma diminuição no risco. Pelo contrário, o fato das indenizações continuarem elevadas, mesmo com um número menor de sinistros, indica que os eventos ocorridos foram mais graves, exigindo reparações maiores e complexas.

Esses dados reforçam a importância de contar com uma cobertura de seguro adequada, tanto para a fase de instalação quanto para a operação do sistema fotovoltaico, especialmente para proteger contra eventos climáticos, que já são responsáveis por 80% dos sinistros.

Portanto, é essencial que os integradores estejam cientes dos riscos cada vez mais crescentes no setor de energia solar, para que possam alertar seus clientes sobre a importância de um seguro específico, que garanta o retorno do investimento (payback) dentro do prazo esperado, sem o risco de perdas.

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